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China faz história em Botafogo

China faz história em Botafogo

Botafogo é um bairro poliglota. Tem hostels, cursos de idiomas e escolas em que alunos aprendem, desde pequenos, uma segunda língua, como inglês e alemão. Mas agora passou para outro patamar: acaba de ganhar uma escola trilíngue. O bairro foi o lugar escolhido para ganhar a primeira escola chinesa fora da China. Inaugurada em fevereiro deste ano, a Escola Chinesa Internacional oferece, em horário integral, ensino em três idiomas, metodologia moderna, alta tecnologia e planejamento individualizado dos alunos, desde a Educação Infantil.


Fui convidado a conhecer a recém-inaugurada Escola Chinesa Internacional (ECI), localizada no número 379 da rua São Clemente, e, apesar da preocupação com pandemia e distanciamento social, aceitei o convite. Afinal, quantas escolas do mundo oferecem educação simultânea em português, mandarim e inglês? E como perder a oportunidade de conhecer um pouco da cultura desse povo fantástico cuja história data de mais de cinco mil anos?

Seguindo todos os protocolos de segurança, munido de máscara, face shield e álcool em gel, cheguei ao belo casarão. Ao fim da escadaria que leva à entrada principal, a visão já impressiona: elementos de decoração chineses tradicionais, em vermelho e dourado, convivem com um conjunto de telões – fabricados pela gigante chinesa de tecnologia Huawei – em que é possível assistir, em tempo real, às atividades em sala de aula. Como na China, tradição e modernidade caminham juntas na ECI.


O principal foco é na Educação Infantil, até porque, para aprender o mandarim, quanto mais cedo, melhor. A sala de aula dos pequenos de um a seis anos tem 150 m² ocupados por seis áreas de atividades diferentes. O método de ensino é Montessori, com ênfase na autonomia da criança, que explora e aprende com o ambiente ao seu redor. O programa de aprendizado inclui Educação Matemática, Educação Linguística, Ciência e Cultura, Treinamento Sensorial e Exercícios Básicos, que vão de movimentos fundamentais a etiqueta social; de jardinagem a tarefas domésticas – acredite, eles aprendem a lavar a própria louça!

Salas amplas com equipamentos Montessori / divulgação


Outro patamar

Com equipe preparada para receber alunos de qualquer nacionalidade e origem, a ECI integra os currículos educacionais da China e do Brasil. A imersão trilíngue é feita por meio da presença em sala de três professoras – uma chinesa, uma brasileira e uma norte-americana –, que atuam como mediadoras, compartilhando o tempo e o mesmo espaço, em horário integral.

Três mediadoras em horário integral / divulgação

O sistema de educação básica da China está entre os melhores do mundo, aparecendo sempre entre os dez primeiros países no ranking do programa internacional de avaliação de alunos (PISA) graças, em boa parte, ao ensino de Matemática e Ciência.

A ECI também oferece, como disciplinas eletivas, Sinologia – história da língua, da escrita, das instituições e dos costumes chineses –; Ábaco e aritmética mental; Olimpíada de Matemática; Guzheng, típico instrumento musical chinês; Caligrafia; Kung Fu; Robô inteligente, e Xadrez internacional.

Seguimos na visita: elevador para pessoas com necessidades especiais, biblioteca, refeitório, armários individuais, chuveiros, hortinha plantada pelos alunos, varanda para espera dos pais e quadra esportiva, onde os alunos fazem uma pausa, pela manhã, para espantar a preguiça. Na parede da quadra, estão inscrições em mandarim que, segundo a diretora geral Yuan Aiping, são princípios da filosofia criada pelo pensador chinês Confúcio (550 A.C. – 479 A.C.) e significam “educação e cavalheirismo”, “fidelidade e justiça”, “benevolência”, “sabedoria” e “integridade”. “Esses princípios são os pilares do sistema educacional chinês. Por isso, fazemos questão de deixá-los bem à vista de todos”, diz Yuan Aiping.

Espantando a preguiça / divulgação


Planos futuros


Mauro Porto, gerente de Comunicação e Marketing, explica que Botafogo foi escolhido para endereço da primeira ECI por várias razões; entre elas, a tradição de escolas de qualidade no bairro, a proximidade com o Consulado Geral da China e o apoio do empresariado chinês com negócios no Rio de Janeiro. Atualmente com cerca de 40 alunos, a escola espera receber, em breve, 100 crianças. Além disso, a ECI tem planos de expansão para outras cidades do Brasil. “A ideia é ampliarmos, a seguir, para São Paulo, cidade onde existe uma comunidade com cerca de 100 mil chineses”, adianta o executivo.

A diretora Yuan Aiping está animada:

“Brasil e China são nações irmãs, uma tem muito a aprender com a outra. A China hoje é o maior parceiro comercial do Brasil, e agora também temos parceria na educação”.

Antes de me despedir da diretora da ECI, trocamos presentes. Ela ficou bem interessada no meu livro “Histórias de Botafogo”, projeto cultural do Curta Botafogo, e lembrou que a escola já faz parte da memória do bairro: “este prédio aqui foi endereço da embaixada chinesa antes da mudança para Brasília; então, de certa forma, já fazemos parte da história de Botafogo”. Mas esta é outra história, a ser contada no meu próximo livro.

Yuan Aiping, diretora geral da ECI, com seu exemplar de “Histórias de Botafogo”

Antonio Augusto Brito